quinta-feira, 23 de julho de 2009

Metrô e E. A. Poe

Esta semana eu usei uma máscara no metrô. Vagão cheio: cheio de gente, cheio de tosse, cheio de janelas fechadas, cheio de coriza, e em breve, eu - cheio de paranóia... rs

Decidi experimentar usar uma máscara. A despeito da afirmação (cretina, a meu ver) de alguns que somente devem usar a máscara os que estão infectados, resolvi usar por prevenção. Cretina, pois 'per analogiam', se fossemos seguir a mesma lógica em relação à AIDS, bem... não preciso continuar.

Então ao avistar o próximo trem, ajeitei a máscara no rosto, e assim que ele abriu suas portas eu entrei.

Quis experimentar a máscara, e acabei experimentando a sensação de personificar a Morte. O vagão, até então cheio também de conversas animadas, corriqueiras, fofoqueiras, pouco a pouco deu lugar ao silêncio. Entrei mudo e saí calado, mas durante as quatro estações que estive dentro do vagão, até a metade deste fez-se silêncio, e as pessoas me fitavam entre curiosas e tensas. Ali, eu era o lembrete silencioso da gripe em voga.

No recôndito, este cômodo tão cômodo e privativo da alma, percebi a imagem que causava ali, e isso me incomodou um pouco. Impossível, senhores, não lembrar de Edgar Allan Poe, no seu famoso conto 'A máscara da Morte Escarlate'. Naquele vagão, eu me senti um ator incidental numa representação burlesca desse conto...

Para quem não conhece, peço licença para colocar abaixo dita estória:

"

A Máscara da Morte Escarlate

Edgar Allan Poe


A "Morte Escarlate" havia muito devastava o país. Jamais se viu peste tão fatal ou tão hedionda. O sangue era sua revelação e sua marca a cor vermelha e o horror do sangue. Surgia com dores agudas e súbita tontura, seguidas de profuso sangramento pelos poros, e então a morte. As manchas rubras no corpo e principalmente no rosto da vítima eram o estigma da peste que a privava da ajuda e compaixão dos semelhantes. E entre o aparecimento, a evolução e o fim da doença não se passava mais de meia hora.

Mas o príncipe Próspero era feliz, destemido e astuto. Quando a população de seus domínios se reduziu à metade, mandou vir à sua presença um milhar de amigos sadios e divertidos dentre os cavalheiros e damas da corte e com eles retirou-se, em total reclusão, para um dos seus mosteiros encastelados. Era uma construção imensa e magnífica, criação do gosto excêntrico, mas grandioso do próprio príncipe. Circundava-a a muralha forte e muito alta, com portas de ferro. Depois de entrarem, os cortesãos trouxeram fornalhas e grandes martelos para soldar os ferrolhos. Resolveram não permitir qualquer meio de entrada ou saída aos súbitos impulsos de desespero do que estavam fora ou aos furores do que estavam dentro. O mosteiro dispunha de amplas provisões. Com essas precauções, os cortesãos podiam desafiar o contágio. O mundo externo que cuidasse de si mesmo. Nesse meio-tempo era tolice atormentar-se ou pensar nisso. O príncipe havia providenciado toda a espécie de divertimentos. Havia bufões, improvisadores, dançarinos, músicos, Beleza, vinho. Lá dentro, tudo isso mais segurança. Lá fora, a "Morte Escarlate".

Lá pelo final do quinto ou sexto mês de reclusão, enquanto a peste grassava mais furiosamente lá fora, o príncipe Próspero brindou os mil amigos com um magnífico baile de máscaras.

Era um espetáculo voluptuoso, aquela mascarada. Mas antes vou descrever onde ela aconteceu. Eram sete um suíte imperial. Em muitos palácios, porém, essas suítes formam uma perspectiva longa e reta, quando as portas se abrem até se encostarem nas paredes de ambos os lados, de tal modo que a vista de toda essa sucessão é quase desimpedida. Ali, a situação era muito diferente, como se devia esperar da paixão do duque pelo fantástico. Os salões estavam dispostos de maneira tão irregular que os olhos só podiam abarcar pouco mais de cada um por vez. Havia um desvio abrupto a cada vinte ou trinta metros e, a cada desvio, um efeito novo. À direita e à esquerda, no meio de cada parede, uma alta e estreita janela gótica dava para um corredor fechado que acompanhava as curvas da suíte. A cor dos vitrais dessas janelas variava de acordo com a tonalidade dominante na decoração do salão para o qual se abriam. O da extremidade leste, por exemplo, era azul e de um azul intenso eram suas janelas. No segundo salão os ornamentos e tapeçarias, assim como as vidraças, eram cor de púrpura. O Terceiro era inteiramente verde, e verdes também os caixilhos das janelas. O quarto estava mobiliado e iluminado com cor alaranjada o quinto era branco, e o sexto, roxo. O sétimo salão estava todo coberto por tapeçarias de veludo negro, que pendiam do teto e pelas paredes, caindo em pesadas dobras sobre um tapete do mesmo material e tonalidade. Apenas nesse salão, porém, a cor das janelas deixava de corresponder à das decorações. AS vidraças, ali, eram escarlates uma violenta cor de sangue.

Ora, em nenhum dos sete salões havia qualquer lâmpada ou candelabro, em meio à profusão de ornamentos de ouro espalhados por todos os cantos ou dependurados do teto. Nenhuma lâmpada ou vela iluminava o interior da seqüência de salões. Mas nos corredores que circundavam a suíte havia, diante de cada janela, um pesado tripé com um braseiro, que projetava seus raios pelos vitrais coloridos e, assim, iluminava brilhantemente a sala, produzindo grande número de efeitos vistosos e fantásticos. Mas no salão oeste, ou negro, o efeito do clarão de luz que jorrava sobre as cortinas escuras através das vidraças da cor do sangue era desagradável ao extremo e produzia uma expressão tão desvairada no semblante do que entravam que poucos no grupo sentiam ousadia bastante para ali penetrar.

Era também nesse apartamento que se achava, encostado à parede oeste, um gigantesco relógio de ébano. Seu pêndulo oscilava de um lado para o outro com um bater surdo, pesado, monótono; quando o ponteiro dos minutos completava o circuito do mostrador e o relógio ia dar as horas, de seus pulmões de bronze brotava um som claro e alto e grave e extremamente musical, mas em tom tão enfático e peculiar que, ao final de cada hora, os músicos da orquestra se viam obrigados a interromper momentaneamente a apresentação para escutar-lhe o som; com isso os dançarinos forçosamente tinham de parar as evoluções da valsa e, por um breve instante, todo o alegre grupo mostrava-se perturbado; enquanto ainda soavam os carrilhões do relógio, observava-se que os mais frívolos empalideciam e os mais velhos e serenos passavam a mão pela teste, como se estivessem num confuso devaneio ou meditação. Mas, assim que os ecos desapareciam interiormente, risinhos levianos logo se riam do próprio nervosismo e insensatez e, em sussurros, diziam uns aos outros que o próximo soar de horas não produziria neles a mesma emoção; mas, após um lapso de sessenta minutos (que abrangem três mil e seiscentos segundos do Tempo que voa), quando o relógio dava novamente as horas, acontecia a mesma perturbação e idênticos tremores e gestos de meditação de antes.

Apesar disso tudo, que festa alegre e magnífica! Os gosto do duque eram estranhos. Sabia combinar cores e efeitos. Menosprezando a mera decoração da moda, seus arranjos mostravam-se ousados e veementes, e suas idéias brilhavam com um esplendor bárbaro. Alguns podiam considerá-lo louco, sendo desmentidos por seus seguidores. Mas era preciso ouvi-lo, vê-lo e tocá-lo para convencer-se disso.

Para essa grande festa, ele próprio dirigiu, em grande parte, a ornamentação cambiante dos sete salões, e foi seu próprio gosto que inspirou as fantasias dos foliões. Claro que eram grotescas. Havia muito brilho, resplendor, malícia e fantasia muito daquilo que foi visto depois no Hernani. Havia figuras fantásticas com membros e adornos que não combinavam. Havia caprichos delirantes como se tivessem sido modelados por um louco. Havia muito de beleza, muito de libertinagem e de extravagância, algo de terrível e um tanto daquilo que poderia despertar repulsa. De um ao outro, pelos sete salões, desfilava majestosamente, na verdade, uma multidão de sonhos. E eles os sonhos giravam sem parar, assumindo a cor de cada salão e fazendo com que a impetuosa música da orquestra parecesse o eco de seus passos. Daí a pouco soa o relógio de ébano colocado no salão de veludo. Então, por um momento, tudo se imobiliza e é tudo silêncio, menos a voz do relógio. Os sonhos se congelam como estão. Mas os ecos das batidas extinguem-se duraram apenas um instante e risos levianos, mal reprimidos, flutuam atrás dos ecos, à medida que vão morrendo. E logo a música cresce de novo, e os sonhos revivem e rodopiam mais alegremente que nunca, assumindo as cores das muitas janelas multicoloridas, através das quais fluem os raios luminosos dos tripés. Ao salão que fica a mais oeste de todos os sete, porém, nenhum dos mascarados se aventura agora; pois a noite está se aproximando do fim: ali flui uma luz mais vermelha pelos vitrais cor de sangue e o negror das cortinas escuras apavora; para aquele que pousa o pé no tapete negro, do relógio de ébano ali perto chega um clangor ensurdecido mais solene e enfático que aquele que atinge os ouvidos dos que se entregam às alegrias nos salões mais afastados.

Mas nesses outros salões cheios de gente batia febril o coração da vida. E o festim continuou em remoinhos até que, afinal, começou a soar meia-noite no relógio. Então a música cessou, como contei, as evoluções dos dançarinos se aquietaram, e, como antes, tudo ficou intranqüilamente imobilizado. Mas agora iriam ser doze as badaladas do relógio; e desse modo mais pensamentos talvez tenham se infiltrado, por mais tempo, nas meditações dos mais pensativos, entre aqueles que se divertiam. E assim também aconteceu, talvez, que, antes de os últimos ecos da última badalada terem mergulhado inteiramente no silêncio, muitos indivíduos na multidão puderam perceber a presença de uma figura mascarada que antes não chamara a atenção de ninguém. E, ao se espalhar em sussurros o rumor dessa nova presença, elevou-se aos poucos de todo o grupo um zumbido ou murmúrio que expressava a reprovação e surpresa e, finalmente, terror, horror e repulsa.

Numa reunião de fantasmas como esta que pintei, pode-se muito bem supor que nenhuma aparência comum poderia causar tal sensação. Na verdade, a liberdade da mascarada dessa noite era praticamente ilimitada; mas a figura em questão ultrapassava o próprio Herodes, indo além dos limites até do indefinido decoro do príncipe. Existem cordas, nos corações dos mais indiferentes, que não podem ser tocadas sem emoção. Até para os totalmente insensíveis, para quem a vida e morte são alvo de igual gracejo, existem assuntos com os quais não se pode brincar. Na verdade, todo o grupo parecia agora sentir profundamente que na fantasia e no rosto do estranho não existia graça nem decoro. A figura era alta e esquálida, envolta do pés a cabeça em veste mortuárias. A máscara que escondia o rosto procurava assemelhar-se de tal forma com a expressão enrijecida de um cadáver que até mesmo o exame mais atento teria dificuldade em descobrir o engano. Tudo isso poderia ter sido tolerado, e até aprovado, pelos loucos participantes da festa, se o mascarado não tivesse ousado encarnar o tipo da Morte Escarlate. Seu vestuário estava borrifado de sangue e sua alta testa, assim como o restante do rosto, salpicada com o horror escarlate.

Quando os olhos do príncipe Próspero pousaram nessa imagem espectral (que andava entre os convivas com movimentos lentos e solenes, como se quisesse manter-se à altura do papel), todos perceberam que ele foi assaltado por um forte estremecimento de terror ou repulsa, num primeiro momento, mas logo o seu semblante tornou-se vermelho de raiva.

- Quem ousa... perguntou com voz rouca aos convivas que estavam perto quem ousa nos insultar com essa caçoada blasfema? Peguem esse homem e tirem sua máscara, para sabermos quem será enforcado no alto dos muros, ao amanhecer!

O príncipe Próspero estava na sala leste, ou azul, ao dizer essas palavras. Elas ressoaram pelos sete salões, altas e claras, pois o príncipe era um homem ousado e robusto e a música se calara com um sinal de sua mão.

O príncipe achava-se no salão azul com um grupo de pálidos convivas ao seu lado. Assim que falou, houve um ligeiro movimento dessas pessoas na direção do intruso, que, naquele momento, estava bem ao alcance das mãos, e agora, com passos decididos e firmes, se aproximava do homem que tinha falado. Mas por causa de um certo temor sem nome, que a louca arrogância do mascarado havia inspirado em toda a multidão, não houve ninguém que estendesse a mão para detê-lo; de forma que, desimpedido , passou a um metro do príncipe e, enquanto a vasta multidão, como por um único impulso, se retraía do centro das salas para as paredes, ele continuou seu caminho sem deter-se, no mesmo passo solene e medido que o distinguira desde o inicio, passando do salão azul para o púrpura do púrpura para o verde do verde para o alaranjado e desse ainda para o branco e daí para o roxo, antes que se fizesse qualquer movimento decisivo para dete-lo. Foi então que o príncipe Próspero, louco de raiva e vergonha por sua momentânea covardia, correu apressadamente pelos seis salões, sem que ninguém o seguisse por causa do terror mortal que tomara conta de todos. Segurando bem alto um punhal desembainhado, aproximou-se, impetuosamente, até cerca de um metro do vulto que se afastava, quando este, ao atingir a extremidade do salão de veludo, virou-se subitamente e enfrentou seu perseguidor. Ouviu-se um grito agudo e o punhal caiu cintilando no tapete negro, sobre o qual, no instante seguinte, tombou prostrado de morte o príncipe Próspero. Então, reunindo a coragem selvagem do desespero, um bando de convivas lançou-se imediatamente no apartamento negro e, agarrando o mascarado, cuja alta figura permanecia ereta e imóvel à sombra do relógio de ébano, soltou um grito de pavor indescritível, ao descobrir que, sob a mortalha e a máscara cadavérica, que agarravam com tamanha violência e grosseria, não havia qualquer forma palpável.

E então reconheceu-se a presença da Morte Escarlate. Viera como um ladrão na noite. E um a um foram caindo os foliões pelas salas orvalhadas de sangue, e cada um morreu na mesma posição de desespero em que tombou no chão. E a vida do relógio de Ébano dissolveu-se junto com a vida do último dos dissolutos. E as chamas dos braseiros extinguiram-se. E o domínio ilimitado das Trevas, da Podridão e da Morte Escarlate estendeu-se sobre tudo."

Há, claro, a interpretação mais elaborada desse conto, que é a grande beleza dele, mas que não cabe aqui.

Abraços.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Hanami

No Japão, mais ou menos no começo de abril, as flores de cerejeira começam a florescer. Desabrocham num curto período, e logo em seguida caem das árvores e perecem.

Infelizmente ainda não pude presenciar isso, mas consigo entender o que se sente ao observar o desabrochar das flores de cerejeira - hanami, olhar as flores. Quanto mais disposto você estiver a observar a delicadeza e perfeição da cena, mais você vai sentir a beleza do espetáculo; assim, de certa maneira, florescendo junto com as flores.

Mas o hanami carrega outro significado: a reflexão sobre a fugacidade das flores de sakura. Dura no máximo seis, sete dias o período. São lindas essas flores, rosadas, delicadas, perfeitas. Por entre as alamedas floridas, tudo envolvido no rosa suave das pequenas flores... para logo em seguida, murcharem e morrerem. No entanto, isso não é encarado como tristeza para eles, e sim com alegria, pela possibilidade de estarem lá, e presenciarem essa maravilha: as flores morrem, mas o hanami fica para sempre na lembrança.

Beleza simples e perfeita, mas fugaz. Flores lindas, que emocionam e despertam sensibilidade e sorrisos...


A vida aqui na megalópole selvagem e cruenta nos faz correr atrás de objetivos áridos, que raramente nos satisfazem. Empregamos a maior parte do nosso tempo pesando, avaliando, até julgando coisas e pessoas...

Muitas vezes pesamos valores, e sempre achamos uma certa maneira de justificar colocarmos certas coisas de lado, para alcançar outras. O erro é que tantas vezes colocamos uma coisa que julgamos ser de máxima importância, e colocamos na pilha enorme de 'pendências' coisas que realmente valem alguma coisa. Nesse sentido, a ignorância, a desatenção, o orgulho, até a maldade, podem ser encaradas como uma maneira equivocada de enxergar corretamente as coisas. Se todos olhássemos de maneira cuidadosa, e ouvíssemos o sopro da sensibilidade ao considerar as coisas...



Há poucos dias tive a oportunidade de rever e tirar o pó do meu livro de formatura, a fim de olhar a foto de nossa turma, e encontrei o rosto de uma certa amiga.

Quando a olhei na foto, lembrei imediatamente de todas as conversas que tivemos. Não, não éramos próximos, íntimos, mas a lembrança nítida e reiterada que tenho dela é de seu rosto risonho, ela arrumando os óculos, sempre de bom humor (jamais a vi reclamar de nada, ou franzer o cenho).

Não me lembro mais das coisas que falamos, mas é nítida e clara a sensação do papo leve, divertido, animado... falou dos filhos (o que me tocou, pois ser mãe cobre a mulher de honras pra mim), das expectativas. Lembro-me de algumas vezes eu mesmo - excessivamente belicoso então - em silêncio, considerando as palavras conciliadoras dela. Belicoso, mas também sempre reflexivo, ficava mastigando as ideias.

Fim do curso, alegre, bom, mas fugaz. Cada um para um lado, pequenos grupos se dividindo, poucos mantendo contato entre si. 'É a vida', pensei, 'muito puxado pra todos', e fui me afastando também.

Erro meu.

São quase onze horas da noite agora, e eu acabei de chegar da cerimônia de seu falecimento. Não, não foi o velório; o velório eu não fiquei sabendo a tempo, pois baseado em pesagens equivocadas, afastei-me e perdi o contato com muitas coisas que realmente carregam em seu bojo algum valor. De qualquer modo, compareci, e tive a necessidade de prestar a homenagem à ela, à minha maneira pessoal.

Nesta noite de julho Adriana-san levou um querido amigo (mas quase sempre sisudo) para a festividade do hanami. Com seu ar risonho, seus óculos pequeninos, ela pegou ele pela mão e o levou para ver as cerejeiras em flor.

Os sutras ficaram inaudíveis, o mundo ficou em camera lenta, as cores e contornos esmaeceram, e eu, que estava com os olhos cobertos, passei a enxergar novamente. Ali, à volta de todos, só havia o tom rosado e suave das cerejeiras em flor.

O tom da noite não é de tristeza, é sim de saudade; mas principalmente, de gratidão. Um amiga que, até mesmo em sua passagem, me ensinou uma lição de tamanho inestimável: a aplicação do ensinamento budista da impermanência das coisas.

Minhas lágrimas hoje são para você, minha amiga. São lágrimas de muita alegria e extrema gratidão.

Convivemos por tão pouco tempo juntos... mas nós sabemos - sorrindo - que foi como o hanami.

domingo, 12 de julho de 2009

Comentários esparsos 1

Olha, só um comentário esparso...

Estou lendo o The Stand, do Stephen King, e cada vez que leio uma notícia sobre o H1N1 eu fico tenso. Simplesmente calhou a época e eu ter achado o livro num sebo por aí, num preço excelente, por indicação de uma amiga.

As situações são diferentes (ufa!) mas ainda assim, não me sai da cabeça a afirmação de que estamos preparados, e tudo está sob controle... não engulo isso. Será que há um controle efetivo de fronteira ? Tudo sob controle - como a dengue, por exemplo? (procure quantos casos confirmados tivemos em 2008, e até agora em 2009, e quantas mortes, se for curioso).

Mas, parabéns a todos que entram nos coletivos e fecham TODAS as janelas, quase vedando com silicone, silver-tape ou algo que o valha... é a maneira mais eficaz de propagar o calor humano, digo, o H1N1, meningite, etc, e de perpetuar o hábito espúrio de vedação de coletivos. Pelo menos morreremos todos juntos num ambulatório qualquer, com bastante calor humano...

sábado, 11 de julho de 2009

Ciclovias

Coloquei um gadget bacana aí na direita, mostrando a situação das ciclovias na cidade. Vale a pena testar.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Cicloativismo

Não vou nem postar aqui o art. 5º da Constituição Federal... Se alguém nunca ouviu falar, fique à vontade para usar o oráculo (Google).

Há pouco tempo, tivemos uma discussão muito grande acerca da lei que determinaria o espaço mínimo de 1,5 metro para ultrapassagem de motociclistas. Alguns a favor, alguns contra, como sempre.

Mas - mais uma vez, como sempre - pouquíssimos sabem que esse limite já existe, protegido pelo Código de Trânsito vigente, para ciclistas.

Eu também sou habilitado, mas a bicicleta é uma preferência. Habilitado como você, que divide as faixas nas ruas de Sampa comigo. E antes que alguém proteste, é um carro a menos, sempre. Acho que bom senso cabe em qualquer lugar...

Enfim, lá vai o art. 58 do CTB:


"Art. 58. Nas vias urbanas e nas rurais de pista dupla, a circulação de bicicletas deverá ocorrer, quando não houver ciclovia, ciclofaixa, ou acostamento, ou quando não for possível a utilização destes, nos bordos da pista de rolamento, no mesmo sentido de circulação regulamentado para a via, com preferência sobre os veículos automotores."

Talvez o negrito não seja o suficiente: COM PREFERÊNCIA SOBRE OS VEÍCULOS AUTOMOTORES.

Não é 'com a exclusão', é 'com preferência'!! Amigo motorista, ninguém vai tomar o seu lugar, somente vai ter preferência. Ou melhor, eu tenho preferência por estar montado em varetas de metal, sobre você, num encouraçado com airbag. Caso não lhe pareça razoável, sugiro trocarmos de lugar...

Em tempo, me parece que não precisamos de ciclovias para pedalar... Alguns afirmam que não pedalam pois não há ciclovias... Eis a lei, que seja aplicada e respeitada. Se eu for ficar esperando a boa vontade alheia para o mundo melhorar, vou ser mais um no rebanho... Grato, vou pelo atalho alternativo; tento fazer minha parte, melhorando um pouco as coisas, dando exemplo, e estimulando mudanças boas ao meu redor...

Voltando ao limite mínimo de ultrapassagem, é infração de trânsito. Sim, meus caros, infração presente no art. 201:

"Art. 201. Deixar de guardar a distância lateral de um metro e cinqüenta centímetros ao passar ou ultrapassar bicicleta:

Infração - média;

Penalidade - multa."

Já existe sim, para ciclistas.

Via de regra, o ciclista se pauta pelo respeito e pelo bom senso. É um cidadão de boa paz. Geralmente segue uma ordem alternativa de idéias, de estilo de vida. E isso inclui não ocupar espaço, facilitar a vida e a via pública, e que como a maioria dos seres humanos não gosta da idéia de ser atropelado (risos).

Uma bicicleta é um carro a menos!
Pronto.

Cansado de sempre seguir o mesmo caminho, como gado. Preciso de um atalho alternativo pra mesmice do quotidiano. Redundante? não...

Redundante é manter-se na zona de conforto, sem reflexão, sem evoluir.

Como todo atalho, não sei onde vai dar, apenas suponho a direção: coisas úteis, idéias que facilitem as coisas - ou que pelo menos descompliquem.

Bom, não custa tentar.